Pipelines para o 11 de Setembro
Par Rudo de Ruijter,
Investigador independente
Países Baixos
Novembro, 2006
Os ataques terroristas do 11 de Setembro, seguidos da guerra
no Afeganistão e da “Guerra contra o Terror”, mudaram o
mundo. Contudo, tal como as supostas armas de destruição
massiva nada tinham a ver com a invasão do Iraque, Osama Bin
Laden nada tem a ver com a guerra no Afeganistão. As
verdadeiras razões desta guerra são o petróleo, o gás e os
pipelines em redor do Mar Cáspio. A operação do 11 de
Setembro tinha por objectivo dar um novo impulso às
conquistas dos Estados Unidos na sua ambição de dominar as
fontes de petróleo e de gás. Um novo Pearl-Harbour, como os
neo-conservadores já tinham baptizado esta operação um ano
antes dos ataques às torres gémeas.
Sumário
Este artigo
relata o pano de fundo dos planos da guerra dos Estados
Unidos contra o Afeganistão, por causa do petróleo, do gás e
dos pipelines em redor do Mar Cáspio. Para transportar
petróleo e gás a partir do lado este do Mar Cáspio, foram
projectados pipelines através do Afeganistão. Como uma
empresa dos Estados Unidos, a UNOCAL, não conseguiu
controlar o itinerário afegão, foi preparada a guerra.
Quando o aparelho militar estava pronto para atacar, os
acontecimentos do 11 de Setembro ofereceram a Bush um
pretexto para começar esta guerra e obter o apoio do
Congresso, da população dos Estados Unidos e do resto do
mundo. A “Operação 11 de Setembro” revelou-se um crime quase
perfeito. Quase. Todos os crimes deixam pistas.
Conteúdo:
- Introdução
- Linha cronológica 1989 – 2000
- As ideias dos neo-conservadores
- Os actores ricos e as suas influências
- As preparações para o 11 de Setembro e a invasão do Afeganistão
- O 11 de Setembro de 2001
- Conclusão
Os nossos políticos formaram a ideia
que muitas pessoas têm do nosso mundo. Dividiram-no em bem e
mal. Naturalmente, eles são sempre os bons e os que eles
acusam são os maus. Simples, não e?
Mas, se nos ativermos aos factos e
rejeitarmos todas as informações que vêm de fontes não
verificáveis, o nosso mundo parece muito diferente. Esta
investigação não tem por objectivo ofender quem quer que
seja. Se está contente com a versão “oficial” da nossa
história, não continue a ler.
Bush dizia que os ataques de 11 de
Setembro eram a razão para invadir o Afeganistão. [1]
Este artigo mostra que esta guerra era o resultado lógico
das tentativas falhadas dos Estados Unidos para construir e
controlar pipelines
através do Afeganistão e que os preparativos para essa
guerra tiveram lugar antes de 11 de Setembro de 2001.
Em 2000, os neo-conservadores diziam que precisavam de um
acontecimento «catastrófico e catalizador».
Este artigo mostra como esse
acontecimento pôde ter lugar em 11 de Setembro de 2001.
O ataque de 1993
Os ataques contra o World Trade Centre e o Pentágono de 11
de Setembro de 2001 quase fazem esquecer um ataque anterior
contra o World Trade Centre, em 1993. A 20 de Janeiro de
1993, William (Bill) Clinton tornara-se presidente. Um mês
mais tarde, «uma enorme explosão teve lugar às 12:28, hora
local, na secção dos serviços secretos do parque situado por
baixo e entre os edifícios mais altos de Nova Iorque.» [2]
A BBC publicou as palavras de uma
testemunha : «Deu a impressão de que um avião tinha embatido
no edifício.» Aparentemente, a explosão tivera como
objectivo fazer cair as torres do WTC. O New York Times
descobriu que o FBI estava implicado no ataque. O FBI
ter-se-ia infiltrado num grupo terrorista, estaria ao
corrente das suas intenções e, por razões desconhecidas,
tinha permitido que as coisas se passassem.
[3] Seis pessoas morreram e cerca de cem ficaram
feridas. [2]
- A linha cronológica 1989 – 2000
Neste capítulo, apresentarei uma
linha cronológica dos acontecimentos afegãos. Mencionarei
igualmente os acontecimentos relativos ao terrorismo, que
viriam a ser o pretexto final dos Estados Unidos para a
guerra.
Imediatamente após os ataques de 11 de
Setembro de 2001, oficiais dos Estados Unidos acusaram Osama
Bin Laden. Como o homem residiria no Afeganistão, isso
oferecia a George W. Bush o pretexto para atacar e invadir o
Afeganistão.
Vejamos mais de perto a situação
anterior a 11 de Setembro. Como prometido pelo presidente
soviético Mikhail Gorbachev, a União Soviética retirara o
seu último soldado do Afeganistão a 15 de Fevereiro de 1989.
Era o fim de dez anos de guerra da União Soviética.
Alguns meses mais tarde, a 9 de
Novembro de 1989, caía o Muro de Berlim. A Cortina de Ferro
desmoronava-se. As pessoas do outro lado da cortina, em
relação às quais os nossos chefes tinham afirmado que eram
perigosas e ferozes, pareciam ser tão afáveis como nós.
Com o conceito de Guerra Fria, os
nossos chefes tinham dividido o nosso mundo e mantido a
angústia no nosso espírito durante mais de quarenta anos.
Esse terror, fabricado pelos nossos próprios governantes,
acabou finalmente.
Os projectos de pipelines através do
Afeganistão
A 25 de Dezembro de 1991, a bandeira
soviética no Kremlin era descida pela última vez.
[4] As repúblicas soviéticas tornavam-se
independentes. Entre estas estavam os países na orla
do Mar Cáspio, todos ricos em petróleo e em gás. [MAPA:
http://worldatlas.com/webimage/countrys/as.htm ]
Antes, o petróleo e o gás eram
encaminhados por pipelines para os seus vizinhos soviéticos
ou exportados para a Europa via Rússia. Agora, cada país
podia vender o seu próprio petróleo e gás e desenvolver
novos mercados. De toda a parte chegavam compradores.
No início, os novos chefes ainda não
tinham experiência com os negócios de petróleo mundiais. Uma
das primeiras transacções do Turquemenistão foi vender em
leilão um poço de petróleo por apenas $100,00 (cem mil
dólares). [5] Chegavam também empresas dos Estados Unidos.
O maior desafio, em relação ao petróleo
e ao gás da região do Cáspio, era transportá-los até aos
mercados mundiais. O problema? A região está
inteiramente rodeada de terra. Se não se confia na
Rússia, no lado norte de Mar Cáspio, nem no Irão, no lado
sul, há que construir novos pipelines. [MAPA:
http://europe.mapquest.com/maps/map.adp?formtype=address&country=TM&addtohistory=&city=
]
Actualmente, do lado oeste do Mar
Cáspio o petróleo é bombeado por diferentes pipelines para o
Mar Negro e o Mar Mediterrâneo, de onde pode ser
transportado por barcos.
Os negócios de grande envergadura no
lado este são ainda limitados. Para canalizar o petróleo e o
gás deste lado, têm de ser construídos pipelines através do
Afeganistão. Aqui, desde o início dos anos 90, foram
projectados dois pipelines, um para o petróleo, outro para o
gás.
O pipeline de petróleo devia ir
para sul, em direcção ao Oceano Índico, terminando no porto
de Gwadar, no Paquistão. O pipeline de gás devia virar para
leste, em direcção a Multan, no meio do Paquistão. Estava
projectada uma extensão do Paquistão para Bombaim (Mumbia,
Índia), onde uma empresa dos Estados Unidos com ligações aos
Bush pai e filho, a Enron, construiu uma central eléctrica.
[6] ][MAPA:
http://www.worldsecuritynetwork.com/showArticle3.cfm?article_id=12601 ]
Os contratos para a instalação de
pipelines não são somente projectos de milhares de milhões
de dólares para os construir. Geralmente, o contratante
principal compra e vende igualmente o petróleo e o gás que
passa por eles. Com estes contratos, ele pode determinar
quanto o fornecedor obtém e quanto será pago aos países que
o pipeline atravessa. Ele determina quem terá o petróleo e o
gás, a que preços e em que moeda eles deverão ser pagos.
De facto, ele determina muitas coisas
no desenvolvimento económico, tanto do país vendedor, como
do país comprador. Com o Turquemenistão ávido de vender o
seu gás, o Paquistão ávido de o comprar e a Enron da Índia à
espera desse gás quanto mais depressa, melhor, os pipelines
através do Afeganistão têm um interesse capital.
Contudo, em
2001, os trabalhos no Afeganistão ainda não começaram.
Depois da retirada dos Soviéticos, em 1989, ainda não
reinava a calma no país.
Os
Taliban: de aliados a terroristas.
Vale a pena mencionar as coisas que perturbavam a calma e
impediam os negócios. Em 1992, o presidente pró-russo,
Mohammad Najibullah, foi afastado. Em 1993, Burhanuddin
Rabbani tornou-se presidente, apoiado pela minoria Tajik da
população afegã.
Em 1994, os
Pastun, que constituem metade da população, desafiam
Rabbani. Como os pipelines deveriam atravessar sobretudo
territórios Pastun, o seu movimento, os Taliban, tinha o
apoio dos Estados Unidos e do Paquistão.
Em Março de
1995, duas empresas, a BRIDAS da Argentina e a UNOCAL dos
Estados Unidos, afirmam ambas ter obtido contratos com o
vendedor do gás (Turquemenistão) e o comprador (Paquistão).
Nesse momento, ainda não existia contrato assinado com as
autoridades afegãs.
Em Outubro
de 1995, o presidente Niyazow, do Turqueministão, assinou um
acordo oficial com a UNOCAL, mas, em Fevereiro de 1996, o
presidente Rabbani, do Afeganistão, assinou um acordo com a
BRIDAS para a secção principal de 875 milhas (1350 km)
através do Afeganistão. [7]
As hipóteses
da UNOCAL parecem comprometidas. Felizmente para a UNOCAL,
os Taliban querem depor o presidente Rabbani. Em Setembro,
eles tomam posse de Jalabad, Kandahar e, depois, Cabul. O
presidente Rabbani foge para se juntar à Aliança do Norte.
A UNOCAL
suspira de alívio. E exprime o seu apoio à tomada do poder
pelos Taliban, dizendo que isso facilita o projecto do
pipeline. (A UNOCAL dirá mais tarde que foi mal citada.)
A BRIDAS
teria perdido o jogo? Não. Em Novembro de 1996, a BRIDAS
assina um acordo com os Taliban e o General Dostum para a
construção do pipeline. Infelizmente, com excepção do
Paquistão e da Arábia Saudita, o governo dos Taliban não
obteve reconhecimento internacional.
Em Abril de
1997, como os trabalhos ainda não tinham começado, os
Taliban anunciam que oferecerão o contrato a quem começar
primeiro. Contudo, a UNOCAL exige que, antes, exista paz.
Em Julho de
1997, o Turquemenistão e o Paquistão aceitam um novo prazo e
assinam um novo contrato com a UNOCAL, dizendo que a empresa
deve iniciar os trabalhos no prazo máximo de 18 meses.
Em Dezembro
de 1997, a UNOCAL tenta estabelecer estreita amizade com os
Taliban convidando uma delegação a visitar a sua sede social
em Sugarland, no Texas, onde os Taliban recebem um
tratamento VIP e ficam instalados nos melhores hotéis. [8]
No
Afeganistão, a guerra civil continua. Sem representação
legal internacionalmente reconhecida, os projectos de
pipelines parecem sem saída. [9]
Bombas
dos Estados-Unidos sobre o Afeganistão após ataques contra
embaixadas em África.
Em 4 de Fevereiro de 1998 e a 30 de Maio, tremores de terra
de grande intensidade sacodem o Nordeste do Afeganistão.
Estes terramotos atraem muito a atenção internacional e
muitos grupos de socorristas chegam ao Nordeste do
Afeganistão para ajudar. Segundo acusações dos Estados
Unidos, terá sido nesse momento que, algures nessa mesma
região do Afeganistão, um certo Osama Bin Laden preparou os
ataques à bomba contra duas embaixadas em África, uma em
Nairobi (Quénia) e outra em Dar es Salam (Tanzânia).
Os ataques
tiveram um grande impacto na imprensa. 258 pessoas foram
mortas e cerca de 5000 ficaram feridas. As explosões
aconteceram a 7 de Agosto de 1998, aparentemente sem razão
específica. [10]
E,
aparentemente, só o presidente Clinton beneficiou com isso.
Nos E.U., o caso Mónica Lewinsky atingia o seu ponto
culminante. A imprensa e o público estavam excitados.
Clinton declarara sob juramento que não tinha tido relação
sexual com Mónica Lewinsky. Nesta altura, tinham sido
tornadas públicas provas de que essa relação acontecera.
Clinton estava à beira de ser condenado por perjúrio.
Os ataques à
bomba desviaram a atenção das pessoas para o drama em
África. Finalmente, a 17 de Agosto, Clinton escapava à
acusação de perjúrio argumentando que sexo oral não é uma
relação sexual. [11]
Alguns dias
mais tarde, a 21 de Agosto de 1998, militares dos E.U.
lançavam bombas sobre Kandahar e alguns outros alvos no
Afeganistão. Só mais tarde Clinton explicaria aos
jornalistas que isso ocorrera por causa de Osama Bin Laden,
que era o alegado responsável pelos ataques contra as
embaixadas dos E.U. em África. [12]
Contrariamente a George W. Bush em 2001, Clinton não invadiu
o Afeganistão. Uma invasão teria dado à UNOCAL a esperança
de ver, finalmente, uma saída para aquela situação, mas, com
ocaso Mónica Lewinsky ainda no ar, Clinton não tinha crédito
suficiente para uma tal guerra.
A 2 de
Agosto de 1998, a resolução 1193 do Conselho de Segurança
das Nações Unidas condena os Taliban pelos problemas com o
Afeganistão. [13]
A 5 de
Novembro de 1998, um Grande Júri dos E. U. acusa Osama Bin
Laden. (Não pelos ataques à bomba contra as embaixadas em
África, mas, essencialmente, por considerar os E.U. como seu
inimigo.) [14] & [15]
A UNOCAL retira-se
Em Dezembro de 1998, a UNOCAL retira-se do consórcio do
pipeline e, pelo menos para o mundo exterior, o projecto de
pipeline parece ter parado. [8]
Entretanto, em Janeiro de 1999, o ministro dos negócios
estrangeiros do Turquemenistão visita o Paquistão, dizendo
que o projecto continuava vivo. Em Fevereiro, a BRIDAS
conferencia com chefes políticos no Turquemenistão, no
Paquistão e na Rússia.
Em Março, o ministro dos negócios estrangeiros do
Turquemenistão, Sheikh Muradov, encontrou-se com o chefe
Taliban Mullah Omar em Kandahar para discutir a questão do
pipeline. Em Abril, o Paquistão, o Turquemenistão e os
Taliban assinam um acordo para reactivar o projecto. Em Maio
de 1999, uma delegação dos Taliban assina um acordo com o
Turquemenistão para comprar gás e electricidade.
[8]
Aviso de terror
Em 25 de Junho de 1999, o Departamento
de Estado dos E.U. anunciava: «Como algumas das nossas
embaixadas em África foram vigiadas por indivíduos
suspeitos, tomamos temporariamente a precaução de encerrar
as nossas embaixadas na Gambia, no Togo, em Madagáscar, na
Libéria e no Senegal, de 24 a 27 de Junho, inclusive – ou
seja, domingo». [16]
O porta-voz parece não ter qualquer ideia sobre onde se
situam estes países, tendo em conta a estranha ordem pela
qual os enumerou. Por outro lado, os únicos países Africanos
onde se registaram incidentes nesse ano, ataques ou tomada
de reféns, foram a Serra Leoa, a Nigéria, o Burundi e a
Etiópia. Nenhum destes países figura na
lista. [17]
A 4 de Julho de 1999, o presidente Clinton assinava uma
ordem que proibia acções comerciais com os Taliban. [18]
Retorno aos orçamentos da Guerra Fria
A 23 de Setembro de 1999, o candidato presidencial George W.
Bush expõe os seus pontos de vista sobre o aparelho militar
dos E.U. Ele lamenta que, após o fim da Guerra Fria, os
orçamentos da Defesa tenham caído 40 % e que o exército
nunca tenha estado em tão mau estado desde Pearl
Harbour.(Pearl Harbour era uma base dos E.U. durante a
Segunda Guerra Mundial, em que os E.U. sofreram uma pesada
derrota em consequência de um ataque japonês.)
«Como Presidente, ordenarei uma reconsideração imediata do
nosso aparelho militar além-mar – ou seja, em dezenas de
países... O meu segundo objectivo é construir as defesas da
América nas fronteiras perturbadas da tecnologia e do
terror.»
Mais um dos seus pontos de vista acerca
das armas: «No ar, nós devemos ser capazes de atingir
qualquer ponto do mundo com a precisão de um bico de prego –
com aviões de longa distância e, talvez, com sistemas não
tripulados.» [19]
A 15 de Outubro de 1999, as coisas tornavam-se mais sérias
para os Taliban. A Resolução 1267 do Conselho de Segurança
da ONU contra os Taliban ameaçava com um bloqueio aéreo e o
congelamento dos seus fundos se Osama bin Laden não fosse
entregue até 14 de Novembro de 1999. [20] & [2]
A 11 de Novembro de 1999, durante uma conferência de
imprensa, o ministro dos negócios estrangeiros dos Taliban
dizia que Osama bin Laden e os Taliban eram incapazes de
organizar ataques como os que tinham ocorrido nas embaixadas
em África e condenava essas acções.
Em 2000, houve eleições presidenciais nos E.U. Era tempo de
remeter decisões delicadas para mais tarde.
A 2 de Abril de 2000, Richard Clarke, que fora nomeado
coordenador contra o terrorismo uns meses antes dos ataques
contra as embaixadas em África (a 22 de Maio), predizia:
«Eles atacarão no nosso ponto fraco, no nosso tendão de
Aquiles, que é bem aqui, nos E.U.» [21]
Uma curiosa lista “No-Fly”
A 21 de Abril, passou-se algo notável.
Como medida anti-terrorista, o Congresso dos E. U, anunciou
a criação de uma lista unificada de vigilância de
terroristas, a TID (Terrorist Identities Database). Nesta
base de dados única, seriam reunidos todos os dados
relativos aos terroristas internacionais de que o governo
dos E.U. dispõe. A maior parte desses dados provinha da
lista “no fly” TIPOFF, uma lista de pessoas suspeitas às
quais é interdito subir a bordo dos aviões ou entrar nos
E.U. [22]
Entretanto, no próprio dia em que o Congresso anuncia a
lista única TID, a autoridade federal da aviação (FAA) cria
uma segunda lista, separada, para os voos domésticos e põe
somente seis nomes nesta lista. Duas semanas antes do 11 de
Setembro, eram acrescentados seis outros nomes a esta lista,
o que elevou o total para doze nomes.
Graças a esta lista separada, os piratas do 11 de Setembro,
cujos nomes não constavam daquela lista de doze, puderam
entrar a bordo de voos domésticos sem dificuldade. A 23 de
Agosto de 2001, dois nomes, publicados mais tarde como sendo
dois dos piratas, tinham sido acrescentados à lista TID
oficial, que integrava 60 000 suspeitos, mas não era
consultada para voos domésticos. [23]
- As ideias neo-conservadoras
Este segundo capítulo inicia-se em
Setembro de 2000, quando os neo-conservadores apresentam os
seus pontos de vista. As suas ideias espalhar-se-ão pela
Administração da Casa Branca com a eleição de George W.
Bush. Mesmo antes de ele entrar na Casa Branca, duas guerras
imperialistas já estão na agenda: o Iraque e o Afeganistão.
O Afeganistão terá prioridade.
Em Setembro de 2000, o tanque de ideias
«Projecto para um Novo Século Americano» (Project for a New
American Century, PNAC) publicava as suas ideias
imperialistas para os E.U. [24] No documento, eles advertiam
que o processo de transformação dos E.U. na «força dominante
de amanhã» seria provavelmente lento sem a existência de
«qualquer acontecimento catastrófico e catalisador – como um
novo Pearl Harbour.» [25]
Após o 11 de Setembro, para aqueles que não tivessem
compreendido os efeitos benéficos de Pearl Harbour, Bush
explicava: «Os quatro anos seguintes transformaram a maneira
de os Americanos fazerem a guerra» e «ainda mais importante,
um presidente Americano e os seus sucessores deram forma a
um mundo para além da guerra.» E, para estar seguro de que
as pessoas compreendiam que o 11 de Setembro era comparável
a Pearl Harbour, acrescentou: «O 11 de Setembro – há três
meses e muito tempo! – colocou uma outra linha de divisão
nas nossas vidas e na vida da nossa nação.» [27]
Muitos membros do PNAC viriam a ser
membros da administração Bush. Esses membros incluem Dick
Cheney, Donald Rumsfeld, I. Lewis "Scooter" Libby e Richard
Perle. [26]
A 12 de Outubro de 2000, três semanas
antes da eleição presidencial, a população americana teve
uma breve chamada de atenção para a ameaça terrorista no
mundo. No porto de Aden, no Iémen, o destroyer USS Cole, da
marinha dos E.U., era atingido por um barco pneumático
carregado de explosivos e sofreu danos. Detalhe publicado: o
barco pneumático parecia aproximar-se para ajudar o navio de
guerra a atracar. [28] Mensagem: não podeis confiar em
ninguém.
A 7 de Novembro de 2000, ocorriam as
eleições presidenciais. George W. Bush ou Al Gore
tornar-se-iam o presidente. A contagem dos votos apurou uma
diferença muito reduzida. Os resultados no estado da Florida
tornavam-se decisivos, mas a contagem foi e continua a estar
longe de ser clara.
Os opositores batalharam em muitos tribunais até 13 de
Dezembro. Verificara-se que, na Florida, 180 000 votos
tinham ficado fora da contagem. Desta forma, Bush ia à
frente por menos de 600 votos. Recontagens parciais
resultavam em números ainda mais baixos. Acabou por não se
conseguir executar todas as recontagens nos limites de tempo
impostos pelo Supremo Tribunal. Foi assim
que Bush ganhou as eleições. [29]
Ditador
Alguns dias mais tarde, falando no Capitólio, Bush bazofiava
a propósito da sua nova relação com alguns chefes do
Congresso: «Se fosse uma ditadura, seria muito mais
simples... desde que fosse eu o ditador.» [30]
Apenas um deslize da língua? Na realidade,
não. Em Julho de 1998, a propósito da governação do
Texas, ele já dizia «uma ditadura seria muito mais fácil.»
[31] E, a 26 de Julho de 2001, falando de novo das suas
dificuldades com o Congresso, repetia: «uma ditadura seria
muito mais simples.» [32]
Pois bem, para os projectos ambiciosos
dos neo-conservadores, o Congresso era um obstáculo
importante a vencer. O orçamento dos militares diminuíra 40%
após a Guerra Fria e, com as guerras que eles tinham a
intenção de levar por diante, necessitariam de muito mais
dinheiro.
Como poderiam obter o orçamento que pretendiam? Se os E.U.
fossem atacados, não haveria problema. Eles receberiam todos
os fundos, o apoio político e a simpatia da população que
eram necessários. Mas, como estava escrito no seu documento,
sem um outro Pearl Harbour as coisas avançariam apenas
lentamente. [25]
No momento em que Bush iniciava a sua presidência, muitos
neo-conservadores consideravam que o Iraque seria o primeiro
alvo a atingir. No seu documento de Setembro de 2000, eles
tinham mencionado o Iraque como um «potencial rival» dos
E.U. [24]
Primeiro alvo: o Iraque?
O Iraque tem a segunda maior reserva de petróleo do mundo. O
país estava esgotado. Tinha tentado conquistar o Irão entre
1990 e 1998, tinha invadido o Kuwait em 1990, tinha perdido
com as forças da coligação na operação Tempestade no Deserto
em 1991 e, na sequência, um embargo das Nações Unidas
conduzira a economia à estagnação e a população à beira da
fome.
A partir de 1996, o programa «Oil for
Food» (Petróleo por Comida) das Nações Unidas trouxera algum
alívio ao povo iraquiano. O país tinha sido
desarmado. Inspecções de armamento repetidas e
extensivas tinham concluído que o país já não constituía uma
ameaça. Isto, no plano militar. Em
2000, Saddam Hussein conseguira um passe de magia que
atingiu o pilar central da hegemonia dos E.U., o dólar. Ele
começava a vender o seu petróleo em euros, em vez de
dólares. [http://www.courtfool.info/fr_Couts_mefaits_dangers_du_dollar.htm
, ver “O Iraque”.]
O Afeganistão de volta à agenda
Entretanto, menos de uma semana depois de George W. Bush ter
sido declarado vencedor das eleições, o Afeganistão estava
de volta à agenda internacional. A Resolução 1333 do
Conselho de Segurança das Nações Unidas, de 19 de Dezembro
de 2000, impunha as sanções que prometera um ano antes se os
Taliban não entregassem Osama bin Laden antes de 14 de
Novembro de 1999. (Um bloqueio à aviação afegã e o
congelamento dos fundos.) [33]
O Afeganistão no contexto do Cáspio
Geopoliticamente, o Afeganistão
tornara-se um alvo mais urgente. A partir de 1996, os E.U.
tinham tido revezes importantes na sua ambição de controlar
o gás e o petróleo do lado este do Mar Cáspio e estavam a
perder influência. A ausência de controlo sobre o
Afeganistão ameaçava trazer complicações severas.
Como foi mencionado antes, os problemas
começaram em Fevereiro de 1996, quando o presidente afegão
Rabbani assinou um contrato com a BRIDAS, o concorrente da
UNOCAL, para a construção do pipeline de gás através do
Afeganistão, entre o Turquemenistão e o Paquistão. [8] Em
Março de 1996, os E.U. tentaram bloquear este contrato,
fazendo pressão sobre o Paquistão, dizendo-lhe que devia
conceder direitos de exclusividade à UNOCAL. Isso dera
origem a um confronto diplomático com o governo paquistanês.
[8]
Ainda nesse mesmo mês, o Paquistão aceitava oficialmente que
um pipeline atravessasse o seu território em direcção à
Índia e, assim, tornava possível a venda de gás iraniano à
Índia. O gás viria do gigantesco campo de South Pars, no
Golfo Pérsico, e atravessaria o sul do Irão de oeste para
este através de um pipeline que ainda teria de ser
construído. [34]
Entretanto, em Fevereiro de 1996, o Turquemenistão mostrara
que não queria continuar a depender exclusivamente do
projecto de pipeline afegão e assinou um contrato com a
Turquia para fornecer gás proveniente do seu país através de
um pipeline a construir ao longo da costa norte do Irão. Se
necessário, «a Turquia podia absorver a totalidade do gás
turquemenistanês.» [34]
O Acto das Sanções contra o Irão e a Líbia
(Iranian-Libyan Sanctions Act)
Com estes dois pipelines via Irão, o pipeline afegão
tornar-se-ia mais ou menos inútil. Para impedir a construção
destes dois pipelines, o Congresso dos E.U. decretou o Acto
das Sanções contra o Irão e a Líbia, [35] ameaçando quem
quer que ajudasse o Irão a construí-los e proibindo
transacções com o Irão em montantes superiores a 4 milhões
de dólares. Isto em 18 de Junho de 1996.
Contudo, a 30 de Agosto de 1996, a
Turquia assinou um contrato de 20 anos para comprar gás ao
Irão. [34] & [36] O presidente turco seria punido pela sua
solidariedade islâmica com um golpe militar que o forçou a
resignar. Foi em 18 de Junho de 1997.
[37]
Com o Acto das Sanções em vigor, uma outra empresa dos E.U.,
a Enron, aumentava as suas actividades na região. No
Uzbequistão, a Enron obtivera um contrato para 11 campos de
gás. Em Abril de 1997, o próprio George W. Bush interveio
para ajudar a Enron a obter estes contratos uzbequistaneses.
[38] A Enron contava com o pipeline afegão para exportar uma
parte do gás uzbequistanês para a central eléctrica na
Índia. [39]
Os E. U. ameaçavam com sanções e bloqueavam a
realização da ligação dos pipelines turcos com o Irão. Desta
forma, as entregas de gás iraniano à Turquia eram atrasadas
vários anos. Em Agosto de 2000, o Irão e a Turquia acordavam
em começar as entregas a 30 de Julho de 2001, o que seria
alguns dias antes de expirar o Acto das Sanções contra o
Irão e a Líbia. [40]
Apesar deste Acto de Sanções, a
construção do pipeline no Norte do Irão começara no lado
este. Com fundos iranianos, o Irão e o Turquemenistão tinham
aberto uma ligação internacional de 200 km no final de 1997.
[36]
Atalho submarino evitando o Irão
Para frustrar o desenvolvimento do
pipeline iraniano em direcção à Turquia, os E.U. vinham com
a ideia de um percurso alternativo: do Turquemenistão,
atravessando o Mar Cáspio em direcção ao Azerbeijão e daí
para a Turquia. A Enron faria o estudo para o projecto. [39]
Nesse momento, parecia que o projecto de pipeline afegão
seria abandonado. Em 1998, a Enron retirava-se dos seus
projectos de gás no Uzbequistão [41] e, em Dezembro, a
UNOCAL retirava-se do consórcio para o pipeline afegão. [8]
As ameaças dos E.U. não tinham impedido que grandes
companhias como a Shell e a Total assinassem contratos com o
Irão para a exploração de petróleo e de gás. [42] Contudo, a
Shell retirara-se do seu projecto de pipeline pelo norte do
Irão. [43]
O pipeline submarino atravessando o Mar Cáspio estava agora
na mesa de desenho, mas, em relação às águas, os cinco
países na sua orla (Azerbeijão, Rússia, Cazaquistão,
Turquemenistão e Irão) ainda não tinha chegado a um acordo
sobre as fronteiras de cada um e, portanto, sobre a
propriedade dos campos petrolíferos. Enquanto isso durasse,
segundo um acordo existente desde 1940, a Rússia e o Irão
deveriam primeiro estar de acordo com o projecto de
pipeline. E não estavam. [44]
Em 2000, o presidente do Turquemenistão
tinha criticado os E.U. pelo atraso no pipeline
transcaspiano e tinha limitado as suas entregas de gás à
Rússia. [45] Em Maio de 2000, o presidente Putin tinha mesmo
visitado o Turquemenistão para propor contratos prolongados
por vários anos. [9] Entretanto, no Cazaquistão, o petróleo
do campo Tengiz (o sexto maior campo do mundo) ia ser
bombeado via Rússia em direcção ao Mar Negro. [46]
- Os actores ricos e as suas influências
George W. Bush investido
Em 20 de Janeiro de 2001, George W. Bush presta juramento
como presidente dos E.U. Ele é filho do ex-presidente George
H.W. Bush. A família vem do Texas e tem ligações muito
estreitas com as empresas de petróleo e de energia. Estas
empresas contribuíram grandemente para a campanha que levou
à eleição de Bush.
Empresas a contribuírem financeiramente
para campanhas eleitorais é um fenómeno comum nos E.U. O
apoio financeiro a um candidato determina quanto
marketing esse candidato pode fazer e, enfim, as suas
hipóteses de ganhar. Evidentemente, quando essas companhias
investem muito dinheiro, esperam qualquer coisa como retorno
quando o seu candidato ganha, como nomeações para a
administração, influências para postos de comando de
negócios importantes ou leis e emendas que lhes serão
favoráveis. [47]
Enron
A Enron foi quem mais contribuiu para a campanha eleitoral
de Bush em 2000. [48] De facto, a companhia contribuíra
generosamente para as campanhas eleitorais tanto do pai como
do filho Bush, desde 1985. O presidente da Enron, Kenneth
Lay, tinha contactos pessoais com os Bush. Ele fora mesmo
convidado a passar uma noite na Casa Branca. [49] Durante
esses anos, a Enron crescera da condição de fornecedor
regional de energia para a posição de sétima companhia
multinacional dos E.U.
Embora carregada de dívidas, causadas pelos seus gigantescos
investimentos no estrangeiro, a Enron apresentava sempre
resultados esplêndidos. Como? Em 1997, a Comissão de
Segurança e de Trocas isentara a Enron do Acto da Companhia
de 1940, que proibia as empresas dos E.U. de não incluírem
nas contas as suas dívidas além-mar [47] No mesmo período, o
vice-presidente da Enron para as questões financeiras, Andy
Fastow, começara a sua contabilidade “criativa”. [50]
Desde 1933, a Enron investira na Índia 2,9 mil milhões de
dólares US na construção da central eléctrica de Bombaim.
Originalmente, a empresa contara com o fornecimento de gás
do Turquemenistão a baixo custo, via pipeline através do
Afeganistão. O projecto tornara-se um pesadelo.
A Enron receber severas críticas pelo seu modo descuidado de
fazer negócios. Existira uma forte oposição da população
local, após o que ela contratara os serviços de membros da
polícia para acabar com os protestos dos oponentes. Tinham
sido apresentadas queixas por atentado aos direitos do
homem. [39]
Ultimamente – mas facto importante –, as entregas à
companhia regional de electricidade eram facturadas a mais
do dobro da energia dos outros fornecedores. [51] Tendo em
conta o custo total praticado pela companhia regional de
electricidade, os preços da Enrom eram mesmo 700 por cento
superiores. [52] A companhia regional não conseguia
continuar a pagar as facturas da Enron. Como represália, em
Janeiro de 2001 a Enron cortou a corrente a mais de 200
milhões de pessoas no Norte da Índia e exigia três vezes o
preço normal. [53] (Mais ou menos no mesmo período, a Enron
provocava igualmente rupturas de electricidade na Califórnia
para forçar aumentos de preços. [54])
Em 1997, a Enron tinha dado início a projectos de gás no
Uzbequistão, para os quais George W. Bush tivera contactos
pessoais com o embaixador deste país.
Desde que a administração Bush entrara
em funções, o vice-presidente Cheney recompensara a Enron
pelo seu apoio durante as eleições. O presidente da Enron,
Kenneth Lay, tinha uma lista de pretensões que seriam quase
inteiramente incluídas nas propostas de Cheney para a nova
política energética dos E.U. [55] Cheney intervinha
igualmente para ajudar a Enron a encaixar uma dívida de 64
milhões de dólares pela sua central eléctrica em Bombaim,
durante um encontro em Washington, a 27 de Junho de 2001,
com a chefe da oposição indiana Sónia Gandhi. [56]
Enron – Bin Laden
A Enron tinha igualmente ligações com a firma de construção
Bin Laden, da Arábia Saudita, com a qual construía uma
central eléctrica na faixa de Gaza. (A central não seria
terminada antes da bancarrota da Enron em Dezembro de 2001.)
[57]
Bin Laden - Carlyle
A família rica Bin Laden é bem
conhecida da família Bush. Em 1978, Salem Bin Laden fornecia
uma parte do dinheiro para a primeira empresa de petróleo de
George W. Bush, a Arbusto. [58] O pai de George W., George
H.W. Bush, passou a fazer parte do grupo Carlyle depois de
ter sido presidente [59] e estendeu as suas relações à
família Bin Laden. [60] Teve encontros com esta família em
Novembro de 1998 e em Janeiro de 2000. [61]
Bin Laden investia igualmente no grupo
Carlyle. H.W. Bush encontrara-se com Shafig bin Laden, o
irmão de Osama, a 10 de Setembro de 2001, na véspera dos
ataques, na conferência anual dos investidores do grupo
Carlyle. [62] Tal como a Enron, o grupo Carlyle crescera
imenso.
No começo dos anos 90, o filho Bush
fora membro do conselho de uma companhia de serviço de
catering para aviões. [60] O Carlyle comprara a
companhia. Embora o serviço de catering tivesse sido,
digamos, um desastre, o grupo Carlyle crescia para se tornar
um fornecedor importante da Defesa dos E.U. [61] Um bando de
ex-políticos bem conhecidos, que incluía o pai de George W.
Bush, o ex-primeiro da Grã-Bretanha John Major e o
ex-presidente das Filipinas Mr. Ramos enchiam os bolsos com
a «guerra contra o terrorismo». [59]
Osama
Há uma enorme quantidade de informações disponíveis sobre o
filho de Bin Laden, Osama. No entanto, quase todas provêm de
fontes que não podem ser verificadas, como comentários
feitos por desconhecidos que o travaram conhecimento com ele
ou o encontraram. Outras histórias são baseadas em alegações
de pessoas que têm interesses em negócios importantes na
guerra contra o terrorismo, como Bush. Um pouco mais
adiante, encontrará comentários de oficiais “convencidos” de
que tudo que foi dito sobre Osama é verdadeiro.
No outro extremo, há a imagem que Osama
apresenta de si mesmo numa entrevista ao repórter da CNN,
Peter Arnett, em 1997. Segundo esta entrevista, ele é acima
de tudo um homem de fé, que compreende as pessoas que
combatem os soldados dos E.U., que vieram para roubar o
petróleo e atacaram a religião islâmica. Ele nega ter sido o
organizador dos ataques contra os E.U. [63] (Muitas pessoas
recordar-se-ão de uma gravação em vídeo em que “Osama
confessava” que estaria antecipadamente ao corrente dos
ataques do 11 de Setembro, mas verificou-se que ela era
falsa. [64])
Osama tornar-se-ia a “desculpa-chave” para invadir o
Afeganistão. A 17 de Setembro de 2001, Bush declarou que
Osama era “procurado”, vivo ou morto. [65]
Por que é que Osama Bin Laden se encontrava no Afeganistão?
Também neste caso fontes diferentes dão respostas
diferentes. Ele já tinha permanecido no Afeganistão durante
os anos 80, ajudando os mudjahedin a combater a ocupação
soviética (do mesmo modo que o faziam os E.U.). Ao regressar
à Arábia Saudita, ele opôs-se à aliança do rei com os E.U.
Quando o seu passaporte foi confiscado,
ele começou por fugir, voltando ao Afeganistão, e depois
instalou-se no Sudão, onde todos os muçulmanos eram bem
vindos após uma mudança de regime ocorrida no ano anterior.
Em 1994, em virtude do seu apoio aos movimentos islâmicos
fundamentalistas, a Arábia Saudita retirou-lhe a sua
cidadania e congelou os seus fundos. [66]
Após a tentativa de assassinato contra o presidente egípcio
Mubarak na Etiópia em 26 de Junho de 1995, o Sudão era
acusado de ser o responsável. As relações entre o Egipto e o
Sudão deterioraram-se ao longo de 1995.
Neste ponto, saltamos para o Afeganistão. Em Fevereiro de
1996, as coisas iam mal para o projecto de pipeline dos
Estados Unidos. O presidente Rabbani, do Afeganistão, tinha
feito um contrato com a empresa argentina BRIDAS, em lugar
da UNOCAL, para a construção e exploração do pipeline de
gás. Para os E.U. porem o projecto de novo nas mãos da
UNOCAL, Rabbani deveria desaparecer. Mas quem poderia ser
acusado se Rabbani fosse morto?
Voltemos ao Sudão.
A 8 de Março de 1996, os E.U. pedem subitamente ao
Sudão que extradite Osama. Eles não especificam para que
país. Como os sauditas lhe tinham retirado o passaporte e a
nacionalidade, não havia muitas opções. Em 18 de Maio de
1996, ele deixava o Sudão e voltava ao Afeganistão. [67]
Anos mais tarde, muitas pessoas se questionam, sem
compreender por que Osama não foi preso nessa ocasião.
No Afeganistão, as coisas tomariam uma direcção diferente.
De 20 de Março a 4 de Abril de 1996, os chefes Taliban
fizeram uma shura (reunião) e decidiram uma jihad
contra Rabbani. [68] Osama chegou a 18 de Maio, mas não se
implicou. A 27 de Setembro, os Taliban conquistaram Cabul e
o presidente Rabbani fugia para se reunir à Aliança do
Norte. Nesse momento, as coisas pareciam apresentar plena
esperança para o projecto de pipeline da UNOCAL.
Infelizmente para ele, em Novembro a BRIDAS assinou um novo
contrato de pipeline, com os Taliban.
Isto acabaria por conduzir ao
afastamento dos Taliban do poder pelos E.U. Clinton não
atacou o Afeganistão após os ataques à bomba contra as
embaixadas em África talvez graças ao caso Monica Lewinski.
Bush encarregar-se-ia de o fazer, após os acontecimentos
«catastróficos e catalisadores» de 11 de Setembro de 2001.
Depois de ter utilizado a presença de Osama Bin Laden no
Afeganistão como sua desculpa-chave para invadir o país,
Bush declarava, a 13 de Março de 2002, que não estava
verdadeiramente preocupado com Osama bin Laden. [69]
Karzai
Depois da conquista do Afeganistão, ou pelo menos da sua
capital, um conselheiro da UNOCAL, Hamid Karzai, seria
nomeado presidente da administração interina do Afeganistão.
A 16 de Junho de 2002, mesmo antes de existir um presidente
eleito, Karzai assinou um acordo oficial com o
Turquemenistão e o Paquistão para a instalação de um
pipeline através do Afeganistão. [70]
Mas, ainda que o pipeline viesse demasiado tarde para
transportar gás do Turquemenistão para o Paquistão e a
Índia, o Afeganistão continuava a ser um espólio de guerra
interessante, pois dispõe do seu próprio campo de gás
gigante ao sul do campo turquemenistanês, perto de Mazar e
Sharif, e tem igualmente vários campos de petróleo e também
carvão. Aliás, nos anos 70, geólogos britânicos já tinham
encontrado 1600 locais com minerais.
- As preparações para o 11 de Setembro e a invasão do Afeganistão
A escolha do momento dos ataques
Como foi referido anteriormente, o momento dos ataques
contra as embaixadas em África ajudou Clinton, desviando a
atenção da sua eminente condenação por perjúrio no caso
Monica Lewinsky, ao fixar-se nos inimigos comuns: os
terroristas.
A invasão do Afeganistão deveria
esperar a chegada do presidente seguinte. Assim, entre 1998
e 2001 havia tempo suficiente para preparar tudo
cuidadosamente. Mais adiante faremos notar que os ataques de
11 de Setembro ocorreriam no preciso momento em que tudo
estava preparado. A única coisa que faltava era um pretexto
para obter o apoio do Congresso, da população dos E.U. e do
resto do mundo.
As preparações militares
Para os Estados Unidos, invadir o Afeganistão, do outro lado
do mundo, era uma operação delicada. Pouso a pouco, os E.U.
tinham aumentado a sua influência nas repúblicas
ex-soviéticas. Companhias dos E.U., de petróleo e de gás,
tinham iniciado actividades no Azerbeijão, Cazaquistão e
Turquemenistão. Os militares dos E.U. tinham igualmente
ganho influência na região, desafiando a Rússia e a China no
seu jardim das traseiras.
Já em 1997, no Norte do Afeganistão, os
E.U. haviam estendido consideravelmente a sua “cooperação”
militar com o Cazaquistão, que faz o tampão com a Rússia.
[71] Em 1999, mais perto do Afeganistão, os E.U. expandiam a
sua presença no Quirguistão [72] e no Uzbequistão, um dos
vizinhos do Afeganistão. [73] A 14 e 15 de Abril de 2000, as
tropas dos E.U. e do Uzbequistão faziam exercícios militares
conjuntos. [74]
A leste do Afeganistão, a administração
dos E.U. mantém relações sólidas com os serviços de
inteligência paquistaneses. O seu director, General Mahmoud
Ahmad, estava com oficiais dos E.U. nas semanas anterior e
posterior aos ataques de 11 de Setembro. [75] A oeste, os
F-15 estavam baseados na Arábia Saudita, no Kuwait e na
Turquia, e a 5.ª Esquadra estava estacionada em permanência
no Golfo Pérsico. [76]
Para a guerra no Afeganistão, teriam de ser organizados
transportes de tropas e material em larga escala antes da
invasão. A 7 de Novembro de 2000, o dia em que todos os
cidadãos dos E.U. estavam ocupados com a eleição do seu
presidente, o Reino Unido anunciava o seu maior exercício
militar após a Guerra do Golfo, a Operação Sabre Rápido
(Swift Sword em inglês e Saif Sareea em árabe), envolvendo
24 000 homens e muito material pesado. [77]
O exercício decorria na costa de Omã, um lugar estratégico,
pois todos os petroleiros da região do Golfo Pérsico (Arábia
saudita, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Iraque e
Irão) têm de atravessar o Golfo de Omã.
Aqui, o Reino Unido mantém um depósito de material de
guerra. [78] O exercício iria ocorrer de 15 de
Setembro até ao fim de Outubro de 2001. [79] O Reino Unido
começaria a transportar as suas tropas e o seu material para
Omã no mês de Agosto de 2001. [80] O Reino Unido participava
na invasão. [81]
De 8 de Outubro até ao fim de Outubro de 2001, uma outra
operação militar estava programada no Egipto: a operação da
NATO “Bright Star”. Era o exercício de maiores dimensões em
todo o mundo, envolvendo mais de 11 nações e mais de 70 000
homens (entre os quais 23 000 dos E.U.).
[82]
Entre outros movimentos militares “coincidentais” com vista
ao Afeganistão, faremos notar que, a 23 de Julho de 2001, o
porta-aviões Carl Vinson é enviado de Bremerton (na costa
oeste dos E.U.) para o Mar Arábico. Ele chegaria exactamente
a tempo de lançar os primeiros ataques aéreos contra o
Afeganistão, a 7 de Outubro de 2001. [83]
Preparações diplomáticas.
Na frente diplomática, para impedir que a China se
irritasse, a 19 de Junho de 2001 Bush propôs-se ir à cimeira
da APEC em Xangai, onde encontraria o presidente Zemir,
entre 15 e 21 de Outubro de 2001. [84] & [85] (O encontro de
Bush com os presidentes Zemir e Putin teve lugar a 20 de
Outubro de 2001. [86])
Além disso, a China estava a completar
os seus acordos bilaterais com todos os 37 membros da
Organização Mundial do Comércio. Há muitos anos que a China
estava ávida de se tornar membro desta organização. Os
acordos bilaterais com o México seriam os últimos e isso
deveria completar a adesão da China. [87] Em Julho de 2001,
Bush poliria as suas relações com o México “erguendo-se”
contra as restrições desonestas que limitavam as importações
de camiões mexicanos para os Estados Unidos.
[88]
Provavelmente, isto não foi somente para pôr os mexicanos de
bom humor para assinarem com a China, mas também porque o
México seria membro do Conselho de Segurança (das Nações
Unidas) em 2002 e 2003. A China conseguia os seus acordos
bilaterais com o México e tornava-se membro da Organização
Mundial do Comércio em 13 de Setembro de 2001. [89]
Os sistemas sem equipamento de Bush.
No Verão de 1999, um certo número de embaixadas dos E.U. em
África estiveram fechadas durante um longo fim-de-semana, em
virtude de indivíduos suspeitos rondarem as suas
proximidades. [16] Alguns dias mais tarde, Clinton assinara
uma ordem que proibia trocas comerciais com os Taliban. [18]
E, alguns meses após esses acontecimentos, George W. Bush
apresentara as suas ideias sobre a Defesa «nas fronteiras
perturbadas da tecnologia e do terror.»
Ele dissera : «No ar, nós devemos ser
capazes de atingir qualquer ponto do mundo com a precisão de
um bico de prego – com aviões de longa distância e, talvez,
com sistemas não tripulados.» [19]
Em Setembro de 1999, Bush dissera “talvez”. Ele tinha
algo em vista. Isto passava-se num momento em que o mercado
dos aviões não tripulados (unmanned aerial vehicles, UAV's)
para a aviação militar e civil se desenvolvia rapidamente.
[90] Em 2001, existiam mais de 60 tipos de aviões destes no
mundo, desde pequenos modelos a grandes aviões. [91]
Quando Bush fez o seu discurso em 1999, os E.U. desenvolviam
o Global Hawk [92], um avião militar sem tripulação com uma
envergadura de asas comparável à de um Boeing 737, que
fizera o seu primeiro voo na base da força aérea Edwards
(Califórnia) a 28 de Fevereiro de 1998. [93] Depois de Bush
se ter tornado presidente, o Global Hawk fez o seu primeiro
voo de teste histórico para a Austrália, a 23 de Abril de
2001. [94]
Nem todo o material sobre o 11 de
Setembro foi tornado público. Algumas das provas fiáveis
foram confiscadas pela CIA. [95] As afirmações oficiais de
agentes revelaram-se, muitas vezes, contraditórias. E, em
particular, a Casa Branca confiscou dezenas de relatórios da
Comissão do 11 de Setembro. [96] Isso tornou mais difícil a
busca da verdade.
A versão oficial dos acontecimentos
contém um considerável número de acasos que facilitaram o
“sucesso” dos ataques.
- Um exercício militar à escala nacional, o Global
Guardian, originalmente programado para Novembro de
2001, está a decorrer, criando confusão entre os exercícios
e os acontecimentos do mundo real. [97]
- Um exercício de grande envergadura, o Vigilant
Guardian, está a decorrer e envolver toda a NORAD, a
organização que normalmente envia aviões “caças” aos aviões
civis várias vezes por semana, quando os controladores
aéreos reportam incidentes.
- Vigilant
Guardian simula um ataque contra os Estados Unidos. [97]
- A NORAD tem também programada uma operação no mundo
real, chamada Operation Northern Vigilance, para a
qual aviões “caças” foram antecipadamente estacionados no
Alasca e no Canadá. [98]
- A operação Northern Vigilance cria
igualmente falsos sinais nos ecrãs dos radares, pelo menos
até ao momento em que o segundo avião embate no World Trade
Centre. [99]
- Em Washington, um exercício
programado pelo National Reconnaissance Office
considera o cenário de um avião utilizado como arma voadora.
[97]
- O presidente dos Joint Chiefs of Staff está
em voo sobre o Atlântico em direcção à Europa. [97]
- O director da Agência Federal de Coordenação das
Urgências está numa conferência no Montana.
[97]
- O coordenador da pirataria
aérea da Agência Federal da Aviação (FAA), que deve
contactar o Centro Nacional de Comando Militar em caso de
pirataria, encontra-se em Porto Rico e não pode ser
contactado. [97]
- Todos os agentes anti-terroristas do FBI, assim
como os agentes do mais alto nível das operações especiais
do FBI, estão reunidos com os membros da unidade
anti-terrorista da CIA para um exercício de treino em
Monterrey, na Califórnia. [97]
- O comandante do Centro Nacional de Comando pedira
para ser substituído por alguém sem experiência no dia 11 de
Setembro. [97]
- Para o chefe das Operações Nacionais da Agência
Federal da Aviação, foi o primeiro dia na sua nova função.
[98]
- Os piratas do ar podiam ir a bordo dos aviões sem
dificuldade, pois as listas de proibição de voo oficiais só
eram consultadas para voos internacionais, não para voos
internos. [22] & [23]
- Informados alguns minutos
após o início do primeiro acto de pirataria (voo 11),
responsáveis da American Airlines decidem «manter silêncio».
[97]
- Os controladores aéreos de Boston não seguem os
procedimentos normais e perdem tempo a contactar diferentes
bases militares, em vez da NORAD. [97]
- Quando a NORAD foi finalmente informada, dois F-15
permanecem no solo e só descolam depois de o segundo avião
ter embatido no World Trade Centre. [97]
- Por diferentes razões, só entraram em cena F-16
depois do último avião ter embatido. [97] & [99]
- Foi tomada a decisão de fazer aterrar e manter no
solo não só os aviões civis, mas também os aviões militares.
[99]
- O presumível piloto-pirata do voo 77 dificilmente
conseguia pilotar um Cessna no mês de Agosto, mas conseguiu
fazer descer em espiral um Boeing 757 e embater no Pentágono
alguns metros acima do solo em 11 de Setembro. [100]
- O presidente não dá qualquer ordem em resposta ao
ataque até imediatamente antes do segundo avião embater.
[97]
Só mencionei aqui as coincidências que facilitaram o sucesso
dos ataques. Se eu tivesse que construir uma história
baseada numa tal série de coincidências, ninguém
acreditaria. Pois bem, eu também não. Mantendo as coisas no
seu contexto, é mais sensato encará-las como factos e não
como coincidências.
Todos os detalhes tornados públicos mostram que os ataques
do 11 de Setembro foram executados com uma precisão militar.
No entanto, os piratas teriam sido pilotos improvisados sem
as capacidades extraordinárias que permitiriam voar da forma
que foi relatada. [101] & [102]
Além disso, eles não teriam sido
suficientemente inteligentes para prever as reacções
induzidas pelas suas acções. Aparentemente, eles tinham tão
pouca consciência política que não estavam ao corrente de
que os neo-conservadores esperavam um «acontecimento
catastrófico e catalisador» para acelerar as conquistas dos
E.U.
O sucesso dos seus planos dependia de
muito conhecimento antecipado sobre a situação desse dia,
como a confusão proporcionada pelos exercícios militares e
os cenários que eles simulavam, a confusão proporcionada
pelos falsos sinais de radar, a ausência de imagens de radar
primárias por parte dos controladores aéreos em sectores
específicos, a ausência de numerosos agentes experimentados
na cadeia de comando que responde aos actos de pirataria, a
ausência de aviões “caças” preparados para frustrar os seus
planos.
Tudo isto parece, mais provavelmente, o trabalho de uma
organização com mais influência e bem treinada, uma
organização querendo oferecer a justificação para os planos
de conquista dos neo-concervadores, tendo como primeiro alvo
o Afeganistão.
Não me parece provável que uma tal
organização deixasse as hipóteses de sucesso da sua operação
depender das capacidades improvisadas dos piratas. É mais
sensato supor que os piratas não tinham o controlo. (Apesar
de uma frase escutada na cabine dos pilotos do quarto avião,
que foi traduzida por «Puxa-o para baixo» e interpretada
pelos oficiais como «Faz embater o avião». [102]) Parece
mais provável que a operação era conduzida «na fronteira
perturbada da tecnologia e do terror» e que a tecnologia
tomara os comandos.
Transmissores
Os dois tipos de avião utilizados, os
Boeing 757 e 767 podem ser comandados à distância. Alguns
dias após o 11 de Setembro, Robert Ayling, um antigo chefe
da British Airways, avançava, no Financial Times, que os
aviões podiam ser comandados à distância, a partir do solo,
em caso de pirataria. [13] No 11 de Setembro, o comando à
distância teria estado nas mãos de más pessoas.
Se olharmos mais de perto o cenário do
comando à distância, notaremos que, se os detalhes
publicados sobre os transmissores estão correctos:
1. o transmissor do segundo 767 perdeu sinal pouco
depois de o primeiro 767 ter embatido;
2. o transmissor do segundo 757
perdeu sinal pouco depois de o primeiro 757 ter embatido.
Portanto, dá a impressão de que um piloto à distância
comandava os dois 767 um após o outro e um outro piloto à
distância comandava os dois 757 um após o outro.
([104] 9/11 Commission Report, p.32, 8:47 &
9:41)
É igualmente reportado que um avião de
carga militar C-130 seguia atrás do voo 77 quando este
embateu no Pentágono. Este mesmo C-130 estava atrás do voo
93 quando este embateu. Desempenhava este avião um papel nos
acontecimentos? Ou tratava-se apenas de um turista
acidental, que voava por aqui e por ali enquanto todos os
outros aviões tinham recebido ordem para aterrar? [101],
[105], [106]
Os piratas pirateados?
Embora, face à história oficial, seja suposto que nós
acreditemos que os piratas queriam voar para o World Trade
Centre e o Pentágono, os excertos de conversas tornados
públicos não dão indicações que suportem esta teoria. Apesar
de terem sido publicadas montes de histórias e
contra-histórias sobre os piratas, não encontrei qualquer
elemento verificável.
Se os piratas apoiassem qualquer causa árabe ou islâmica,
provavelmente ficariam numa posição mais forte se tivessem
regressado a aeroportos com quatro aviões e centenas de
cidadãos dos E.U. em seu poder. Poderiam ter negociado a
libertação de presos políticos. Poderiam ter exigido que os
E.U. retirassem as suas tropas da Arábia Saudita. Poderiam
ter usado a situação em favor de qualquer outra causa que
apoiassem.
Será que os piratas tinham realmente a intenção de embater
no World Trade Centre e no Pentágono ou ficaram subordinados
à organização que os “contratara”? Poderemos vir a sabê-lo?
Segundo a história oficial, todos os contactos via rádio e a
escuta das conversas nas cabines dos pilotos terminaram
antes de os aviões iniciarem a sua aproximação final ao
World Trade Centre e ao Pentágono. Se os piratas quisessem
criar o maior espectáculo possível, não teriam gritado uma
última acusação contra os E.U.? Ou uma
última oração gloriosa a Alá? Ou será que ficaram
surpreendidos e em pânico ao voarem em direcção aos
edifícios?
Os pipelines afegãos são apenas um
passo no jogo político dos E.U. para uma influência nas
repúblicas ex-soviéticas, ricas em petróleo e gás. Com um
consumo de 25 por cento da produção de petróleo mundial, o
seu imperialismo tem como razão, acima de tudo, a energia.
Presentemente, os Estados Unidos já dependem em 60 por cento
de petróleo estrangeiro, uma percentagem que sobe
rapidamente. As ideias neo-conservadoras para transformar os
Estados Unidos numa «força dominante» não surgem do nada.
O pensamento de que eles necessitavam
de um «acontecimento catastrófico e catalisador» não era
unicamente motivado pelos benefícios financeiros pessoais
que alguns deles obtêm com a indústria de guerra. Foi também
o sinal de pânico de uma nação que está perante poços de
petróleo secos e que se prepara para conquistar poços de
petróleo estrangeiros até a última gota ter desaparecido.
[1] http://www.september11news.com/DailyTimeline.htm
[2] http://news.bbc.co.uk/onthisday/hi/dates/stories/february/26/newsid_2516000/2516469.stm
[3] http://www.whatreallyhappened.com/wtcbomb.html
[4] http://news.bbc.co.uk/hi/english/static/in_depth/europe/2001/collapse_of_ussr/timelines/late1991.stm
[5] http://www.washingtonpost.com/wp-srv/inatl/europe/caspian100598.htm
[6] http://www.hrw.org/reports/1999/enron/enron2-4.htm
[7] http://www.hri.org/news/balkans/rferl/1999/99-08-03.rferl.html
[8] http://www.worldpress.org/specials/pp/pipeline_timeline.htm
[9] http://www.gasandoil.com/goc/company/cnc02739.htm
[10] http://news.bbc.co.uk/onthisday/hi/dates/stories/august/7/newsid_3131000/3131709.stm
[11] http://www.washingtonpost.com/wp-srv/politics/special/clinton/stories/clinton081898.htm
[12] http://news.bbc.co.uk/1/hi/world/africa/155252.stm
[13] http://www.un.org/Docs/scres/1998/scres98.htm
[14] http://www.fas.org/irp/news/1998/11/98110602_nlt.html
[15] http://www.fas.org/irp/news/1998/11/indict2.pdf
[16] http://www.fas.org/irp/news/1999/06/990625db.htm
[17] http://www.fas.org/irp/threat/terror_99/appa.html
[18] http://www.fas.org/irp/offdocs/eo/eo-13129.htm
[19] http://www.citadel.edu/pao/addresses/pres_bush.html
[20] http://www.un.int/usa/sres1267.htm
[21] http://web.archive.org/web/20000919212253/http://www.library.cornell.edu/colldev/mideast/terclrk.htm
[22] http://www.fas.org/irp/crs/RL32366.pdf
[23] http://www.cooperativeresearch.org/entity.jsp?id=1521846767-2057
[24] http://www.newamericancentury.org/RebuildingAmericasDefenses.pdf
[25] http://politics.guardian.co.uk/iraq/comment/0,12956,1036687,00.html
[26] http://www.sourcewatch.org/index.php?title=Bush_administration:_Project_for_the_New_American_Century
[27] http://www.whitehouse.gov/news/releases/2001/12/20011211-6.html
[28] http://news.bbc.co.uk/onthisday/hi/dates/stories/october/12/newsid_4252000/4252400.stm
[29] http://news.bbc.co.uk/onthisday/hi/dates/stories/november/8/newsid_3674000/3674036.stm
[30] http://www.pbs.org/newshour/bb/politics/july-dec00/trans_12-18.htm
[31] http://www.governing.com/archive/1998/jul/bush.txt
[32] http://seattlepi.nwsource.com/national/32902_bush27.shtml
[33] http://daccessdds.un.org/doc/UNDOC/GEN/N00/806/62/PDF/N0080662.pdf?OpenElement
[34] http://www.eia.doe.gov/emeu/cabs/chrn1996.html
[35] http://www.fas.org/irp/congress/1996_cr/h960618b.htm
[36] http://www.hartford-hwp.com/archives/53/052.html
[37] http://select.nytimes.com/gst/abstract.html?res=F00C12FF3F5A0C7A8DDDAF0894DF494D81&n=Top/Reference/Times Topics/People/E/Erbakan, Necmettin
[38] http://www.publicintegrity.org/report.aspx?aid=104&sid=300
[39] http://www.monitor.net/monitor/0202a/enrontimeline.html
[40] http://www.gasandoil.com/goc/news/ntc03653.htm
[41] http://www.cooperativeresearch.org/entity.jsp?id=1521846767-525
[42] http://www.farsinet.com/news/nov99wk2.html#shell
[43] http://www.iranian.com/Times/Dec98b/Khorramabad/624front.html
[44] http://www.pinr.com/report.php?ac=view_report&report_id=499&language_id=1
[45] http://www.first-exchange.com/FSU/azer/news/news031800.asp
[46] http://www.eia.doe.gov/emeu/cabs/chrn2000.html#FEB00
[47] http://www.publicintegrity.org/report.aspx?aid=104
[48] http://www.whatreallyhappened.com/SilkRoad.html
[49] http://www.thenation.com/blogs/capitalgames?pid=21
[50] http://www.cfo.com/article.cfm/2989389
[51] http://www.atimes.com/reports/CA13Ai01.html#top5
[52] http://www.alternet.org/story/12525/
[53] http://www.atimes.com/reports/CA13Ai01.html
[54] http://news.bbc.co.uk/1/hi/business/1972574.stm
[55] http://www.thenation.com/doc/20020415/nichols
[56] http://www.guardian.co.uk/enron/story/0,,636530,00.html
[57] http://www.cooperativeresearch.org/timeline.jsp?timeline=complete_911_timeline&startpos=300#a0699powerplant
[58] http://www.cbc.ca/fifth/conspiracytheories/saudi.html
[59] http://www.hereinreality.com/carlyle.html
[60] http://www.guardian.co.uk/wtccrash/story/0,1300,583869,00.html
[61] http://www.cooperativeresearch.org/entity.jsp?id=1521846767-479
[62] http://complete911timeline.org/timeline.jsp?timeline=complete_911_timeline&day_of_9/11=dayOf911
[63] http://www.anusha.com/osamaint.htm
[64] http://welfarestate.com/wtc/faketape/
[65] http://www.telegraph.co.uk/news/main.jhtml?xml=/news/2001/09/18/wbush18.xml
[66] http://www.pbs.org/wgbh/pages/frontline/shows/binladen/etc/cron.html
[67] http://www.cooperativeresearch.org/context.jsp?item=a0396sudansquabble
[68] http://www.worldpress.org/specials/pp/taliban_timeline.htm
[69] http://www.truthout.org/docs_04/printer_101504W.shtml
[70] http://www.pakistaneconomist.com/issue2002/issue23/f&m.htm
[71] http://www.stimson.org/rd-table/ctr-kaz.htm
[72] http://www.defenselink.mil/transcripts/2002/t04282002_t0427jpc.html
[73] http://www.cdi.org/russia/johnson/5491-7.cfm
[74] http://www.rferl.org/featuresarticle/2005/09/383c3d03-2526-446e-943d-f81dfddbdc68.html
[75] http://www.atimes.com/atimes/Front_Page/FD08Aa01.html
[76] http://www.eias.org/publications/bulletin/2001/eboctnov01.pdf
[77] http://www.wsws.org/articles/2001/oct2001/oman-o09.shtml
[78] http://www.globalsecurity.org/military/facility/thumrait.htm
[79] http://news.bbc.co.uk/1/hi/uk/1012044.stm
[80] http://wsws.org/articles/2001/oct2001/oman-o09.shtml
[81] http://www.guardian.co.uk/waronterror/story/0,1361,581416,00.html
[82] http://www.globalsecurity.org/military/ops/bright-star.htm
[83] http://en.wikipedia.org/wiki/USS_Carl_Vinson_(CVN-70)
[84] http://transcripts.cnn.com/2001/WORLD/asiapcf/east/06/19/china.russia/index.html
[85] http://www.china.org.cn/english/12585.htm
[86] http://www.worldpress.org/europe/0302express.htm
[87] http://www.fas.org/sgp/crs/row/IB91121.pdf
[88] http://telaviv.usembassy.gov/publish/peace/archives/2001/august/0801e.html
[89] http://www.fas.org/sgp/crs/row/IB91121.pdf
[90] http://www.marketresearch.com/product/print/default.asp?g=1&productid=144390
[91] http://www.armada.ch/01-5/cgdrones.pdf
[92] http://www.fas.org/irp/program/collect/global_hawk.htm
[93] http://www.fas.org/irp/program/collect/global_hawk.htm
[94] http://www.spacedaily.com/news/uav-01d.html
[95] http://web.archive.org/web/20010921200613/www.washtimes.com/national/20010921-90259475.htm
[96] http://www.washingtonpost.com/ac2/wp-dyn?pagename=article&contentId=A30240-2004Feb10¬Found=true
[97] http://complete911timeline.org/timeline.jsp?timeline=complete_911_timeline&day_of_9/11=dayOf911
[98] http://www.cooperativeresearch.org/entity.jsp?id=1521846767-1683
[99] http://complete911timeline.org/timeline.jsp?day_of_9/11=dayOf911&timeline=complete_911_timeline&startpos=100
[100] http://www.whatreallyhappened.com/hanjour.html
[101] http://complete911timeline.org/timeline.jsp?timeline=complete_911_timeline&day_of_9/11=dayOf911&startpos=200
[102] http://complete911timeline.org/timeline.jsp?day_of_9/11=dayOf911&timeline=complete_911_timeline&startpos=300
[103] http://www.economist.com/science/displayStory.cfm?Story_ID=787987
[104] http://www.9-11commission.gov/report/911Report.pdf
[105] http://www.cooperativeresearch.org/entity.jsp?id=1521846767-2034
[106] http://news.minnesota.publicradio.org/features/2004/05/31_catlinb_airguardmuseum/
O autor pode ser contactado
www.courtfool.info.
Se quiser, pode copiar este
artigo, enviá-lo a interessados ou publicá-lo em jornais ou
na internet.